terça-feira, 25 de julho de 2017

O Extase final...



DIA 8 - O grande final.

03H00

Hoje é o dia D, o dia da grande prova, o dia da subida a Old Man of Storr, o covil dos dragões, o local místico onde quem deambula por lá se transforma em pedra e por lá fica para sempre.. o vale que todos querem ir e ninguém o deseja transpor.

Duas colegas optaram por falhar a manha e não ir fazer a subida a Old Man of Storr, uma por questões físicas que se compreende e a outra por estar com os pés magoados das caminhadas dos dias anteriores o que tornaria esta caminhada já de si dolorosa e muito mais difícil.

Assim, partimos 7 de Portree para esta aventura.

O dia hoje enchia-se de magia.. ás 03h00 da manha quando saímos do hotel já se vislumbrava uma faixa avermelhada no horizonte.. isto a 2 horas do nascer do sol não é nada normal, nem nunca antes o tínhamos presenciado.. algo de extraordinário se passava hoje como que a dizer que hoje era o nosso dia.

03h30 inicio da subida.. desde logo ficou combinado que subiríamos todos juntos, ninguém ficaria para trás.. ou chegávamos todos ao topo ou não chegava ninguém.

Com o nascer do sol ás 5h00 da manha, tínhamos 90min para fazer a escalada.. parecia-nos tempo suficiente e iniciamos a subida, que começa logo a matar qualquer um.. primeiro ponto de descanso alguém pergunta o que tínhamos percorrido.. olho para o GPS e para desespero de alguns, eu incluído, verifico que só tínhamos percorrido cerca de 10% do trajecto. Mais um esforço e mais uns metros galgados, o percurso inicial é de piso fácil mas de inclinação muito acentuada... finalmente uma zona quase plana, e para meu gláudio alguns metros onde até o percurso desce ligeiramente.

Novo descanso e olhando para o GPS tínhamos percorrido quase 50% do trajecto e tinham passado 35min.. Ainda mal se avistava os pináculos de Old Man of Storr.. a partir daqui a luz natural já era suficiente pelo que as lanternas deixaram de ser necessárias.

A faixa avermelhada no horizonte mantinha-se e dava um brilho diferente ao nosso percurso.. o céu estava bem composto de nuvens e a esperança de um bom amanhecer era evidente.

O esforço era já muito, o caminhar era penoso para a maioria de nós.. eu o que mais sofria, não com dores de pernas, mas com dores nas costas que começava a ser penoso.

Estávamos já a cerca de 75% do percurso feito, e sinceramente equacionei ficar por ali e procurar outra perspectiva.. o grupo não desarmava e fizemos um descanso mais longo que permitiu recuperar algumas forças, que logo se desvaneceram com o trilho mais complicado, de pedra em pedra, algo indefinido.. já avistávamos a plataforma de onde íamos fazer a foto e já se vislumbrava lá um fotografo que algumas centenas de metros atrás tinha passado por nós em alto ritmo com a sua juventude bem patente no ritmo que empreendia à sua marcha.

Rodeamos o pináculo e abordamos o percurso final com uma vontade extra.. só a vontade enorme de fazer este registo me fez continuar em frente.

Nos últimos metros o grupo desfez-se e os mais "frescos" galgaram a ultima subida facilmente.. eu ainda tive um ultimo pico de força para correr os metros finais monte acima.. pois via já um belo pre-amanhecer à minha frente.

Demoramos 1h15m a fazer a subida até à plataforma.

Faltavam 15min para o amanhecer, ainda houve tempo para fazer um registo virado para o sol nascente.

O sol estava quase a espreitar no horizonte, era tempo de nos focalizarmos na foto de Old Man of Storr.. é uma foto sem grande ciência de enquadramento.. a natureza já fez tudo por nós.. tudo estava lá.. as linhas obliquas, o posicionamento dos pinaculos no terço direito a cortar o horizonte..os lagos as montanhas posteriores com 3 camadas a dar profundidade ao cenário...e hoje.. até as nuvens faziam linhas obliquas para os pinaculos.

Era só carregar no botão.. mas.. cuidado.. a natureza ajuda, mas por vezes complica... e de vez em quando vinha uma rajada de vento, que oscila as maquinas.. ai cometi o erro de estar com polarizador e com ND montado procurando algum arrasto.. pelo que fiquei com alguns registos tremidos, pois a dimensão da 24-70 com os filtros é uma massa enorme sujeita a rajadas de vento. Salvaram-se os registos iniciais e outros, pelo que de todo não foi uma frustração.. E atrevo-me a dizer que apenas a contemplação daquele cenário vale o esforço.

A dita faixa vermelha manteve-se ainda acompanhando-nos em toda a descida. Foi algo que não consigo explicar, pois durou cerca de 3 horas sempre no horizonte, o tempo todo desta nossa aventura que nos iluminou desde o hotel até à descida final. Algo de divino nos acompanhou neste amanhecer e os resultados.. esses ficam para os vossos comentários.

Foi o ultimo dos spots fotográficos, um spot épico que ficou para o fim apenas por questões de meteorologia, mas que brindou todos com um final memorável e inesquecível. Enquanto for vivo, vou recordar este amanhecer e tudo quanto o envolveu.

Eu hoje morri... subi ao céu... vi o paraíso... e ressuscitei...



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