segunda-feira, 24 de julho de 2017
O dia das Fadas
DIA 7
03h15m de novo à porta do hotel para mais um amanhecer.
Talvez pela hora, talvez pelo cansaço ou pelo nervoso de estarmos nos últimos dias da viagem e todos queremos fazer algo de especial, todos acordaram bem dispostos num género de loucura geral que tudo dava para rir... e de repente chega a última colega com um saco na mão.
Alguém pergunta o que ela trás... a resposta que era uma trouxa de roupa suja, ao qual lhe foi dito: " Roupa suja ? olha lá que a lavandaria ainda está fechada..", gerou de imediato uma onda de gargalhada que foi ecoando na noite calma de Portree e que foi aumentando a cada nova expressão.. foi um género de loucura à Salvador Sobral, que cada palavra de alguém originava nova gargalhada.. o que eu me ri nessa noite.. ri e gargalhei até chorar e sentir uma dor no estômago.
Foi o melhor dos prenúncios para um dia fantástico.
Esta malta é incansável e está sempre pronta para novas aventuras.. nem sabem ao que vão, mas vão na mesma... a dormitar no carro deixam-se levar embalados pelo roncar do motor na penumbra da noite que teimava em esconder um céu que todos esperávamos tivesse nuvens sim, mas não em demasiado.
Os kms foram-se sucedendo e apenas se ouvia o motor do carro que sincronizava com o roncar de alguns colegas. Eis que de repente a Ana acorda sobressaltada e dá um berro : " tenho de tomar um drunfo "... de novo deu lugar a kms de gargalhadas que só terminaram ao chegarmos novamente a Quiraing, desta feita quase deserto.
Numa questão de minutos estão todos de tripé e mochila na mão... que nem soldados de infantaria prontos para o combate.
Perguntas de circunstancia: Galochas ? Poncho ? tripé ? que lente levo ?... e ninguém questiona para onde vamos.. a confiança é cega e bonita de sentir.
Tomo a dianteira e encaminho-os para a "table".. é longe perguntam alguns.. ao que respondo: ali em cima, estão a ver aquela reintrancia na escarpa ? é dali que vamos fotografar o amanhecer hoje. Esclarecidos ou não continuam monte acima trás das minhas pegadas.. quase no cimo já estava eu a "bufar" por todo o lado e apesar de saber que ainda não estava no sitio ideal, o mesmo já me parecia muito bom para o que pretendíamos.. Estive a fazer de lebre todo o caminho e agora precisava de alguém a puxar.. foi ai que o Jose Paulo tomou a dianteira e subimos até ao ponto desejado. Uma parte ficou comigo, outros quiseram ainda subir mais uns bons metros.
Todos posicionados preparamo-nos para o amanhecer. Foi um lindo despertar mas soft em temos fotográficos pois as poucas nuvens que apareceram nesse dia ficaram retidas no horizonte, quiça também cansadas do dia anterior resolveram repousar no horizonte.
O dia nasceu e pouco mais havia aí a fazer, tomei novamente a liberdade de tomar a dianteira e comecei a dirigir-me para o novo ponto, onde sabia que a luz dentro em pouco iria incidir. Em breve estávamos novamente todos juntos e enquanto a luz evoluía fizemos uma sessão de selfies a pedido de quase todos.
Nesse deambular a Maria descobriu uma flor a sair do penhasco num belo enquadramento com um dos picos de Quiraing.. escusado será dizer que todos fomos fotografar aquela que ficou conhecida como a Mary Flower de Quiraing.
Acabada a manha, o vento não se fazia sentir.. hum será que o Loch Fada estaria calmo o suficiente para um belo espelho ? pensava para mim... nada como ir verificar. É uma foto que me escapa à 4 visitas.
Ao chegarmos perto foi a loucura dentro do carro. O espelho era perfeito, perfeito demais para ser verdade.. todos queriam saltar de imediato do carro e fazer a foto.. mal o carro parou foi a debandada geral.. todos pegaram nos tripés e nas maquinas com a lente que estava, entramos pela quinta a dentro e nem os midges nos parou.. Esqueçam os tripés..grito eu.. façam o registo à mão que isto não vai durar.. os tripés usam-se depois se houver tempo. E assim foi.. Tivemos um reflexo quase perfeito durante breves momentos e depois veio um pato que resolveu pavonear-se no lago e criar um rasto mesmo a cortar a colina de Old Man of Storr.. acalmado novamente a suavidade do lago permitiu mais uns breves momentos de registos até que uma ligeira brisa quase imperceptível originou uma onda de choque no lago que foi remanescendo para nossa tristeza, pois todos ansiávamos por mais. Optamos por fazer no Loch FADA a foto de grupo, pois este foi um momento especial que não acontece muitas vezes.
Ainda não estava fechada a manha, invertemos a marcha e fomos fazer a foto da praxe a Kilt Rock, sossegados e sem qualquer turista a incomodar.
Regresso ao hotel para pequeno almoço e um breve descanso.
O destino da tarde estava já traçado, quer fizesse chuva, vento ou sol.. as Fairy Pools era o último dos spots para o PDS e estava por fazer. Cedo ainda, fomos para Sligachan fotografar a ponte e alguns spots pré-escolhidos no rio. Alguém perguntou quanto tempo íamos ficar aqui: hora e meia respondi eu..
Hora e meia ! exclamou o colega, o que tem aqui de tanto para fazer que dê para hora e meia.. não tinha, não tinha.. mas ficamos por lá 2 horas... tempo de rumar ás Fairy Pools. Como era esperado, a carrinha ficou na rua pois estava como de costume tudo cheio.. mas também sabíamos que com o PDS às 22h00, todos os turistas iriam debandar cedo para irem jantar.. fomos percorrendo o rio, fazendo o trajecto e parando em alguns pontos.. nas calmas fomos andando monte acima e fotografando.. passamos 5 horas nas Fairy Pools, entre trajecto e fotografia, pelo que tudo foi feito com muita calma.
O sol começa a cair e o horizonte estava carregado de nuvens, seria um belo PDS de cor, mas não era esse o tema de hoje.. hoje queríamos luz a entrar pelas nuvens e a iluminar as Cullins em frente ás Fairy Pools... e tivemos a ajuda das fadas pois foram momentos mágicos de traços de luz que iluminavam parcialmente quer o cume do pico rachado, quer as laterais alternadamente ou em simultâneo numa dança de luz magica num local místico.. o seu tom quente brilhava nas rochas quentes da pequena cascata já de si num tom laranja natural realçando assim toda a sua cor para nossa delicia.
Por essa hora, estávamos apenas nós e as centenas de midges, a ocupar literalmente toda a frente do spot e apenas apareceu um outro fotografo por sinal, brasileiro que se juntou a nós.
E assim terminou um dia que começou com umas valentes gargalhadas e terminou com uma luz épica nas Fairy Pools.
Não sei se foram precisos drunfos ou não, mas as fadas hoje cumpriram o seu papel e obsequiaram-nos com a sua magia.
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